APROVAÇÃO NA CÂMARA: 1ª Conquista para a Revolução Nacional.

Por Kao ‘Cyber’ Tokio

Uma revolução segue em curso, silenciosamente, no Brasil.

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados acaba de aprovar, em caráter conclusivo, um substitutivo de projeto de Lei, que estende os benefícios fiscais da Lei da Informática (8.248/91) ao setor de jogos eletrônicos para uso doméstico.

Gamers noobies e hardcore devem estar comemorando – e não é para menos: pela primeira vez na história do país, o tema alça a condição de assunto importante o bastante para se tornar motivo de análise técnica e debate na esfera política. Homens engravatados, a princípio dedicados a resolver os muitos problemas da nação, voltam sua atenção a um mercado tido como mero entretenimento juvenil.

Esta decisão da Câmara vem para mostrar, no entanto, que a questão é bem mais complexa: os games, longe de serem somente diversão digital, estão mostrando-se uma mídia expressiva, de larga comunicação com toda a sociedade e um mercado digno de interesse para as estratégicas decisões a serem adotadas para construir o futuro do país.

Em parte, a ACIGAMES pode se orgulhar de ter contribuído para este primeiro movimento em direção à queda dos preços nos custos de equipamentos e insumos para games. São dois anos de luta, desde o primeiro protesto isolado até a constituição de uma associação e as primeiras reuniões com o governo, que certamente ajudaram a trazer a discussão para a esfera política.

Como toda luta, gerou cansaço, desgastes, desapontamentos, crises e, claro, detratores, que viam em cada ação institucional uma intenção suspeita e interesseira, a despeito do imenso esforço coletivo de se manter vivo um desejo popular.

A revolução de que fala o título, porém, nada tem a ver com o até aqui relatado: é muito mais profunda e gratificante!

Com a adoção das novas medidas (tão logo entrem em vigor), muitas serão as mudanças no Brasil, em pouquíssimos anos. O game finalmente chegará aos lares de centenas de milhares e, para além da consolidação do mercado, o processo educativo paraescolar proporcionado pelos games beneficiará toda uma nova geração de jovens, mais atentos, conectados e preparados para as demandas de um novo mundo.

Richard Riley, ex-secretário da educação dos EUA, previu, há sete anos atrás que: “O 10 empregos em ascensão a demandarem mais vagas em 2010 sequer terão existido em 2004″. Ainda que tenha sido uma previsão exagerada, basta dar uma olhada nas profissões da atualidade para perceber que o mercado está a cada dia mais voltado para quem imerge no digital: são Game Designers, Webmasters, Planejadores Instrucionais de E-learning, Analistas de Redes Sociais, Técnicos de IPTV e até carreiras como Enfermagem em Informática, acredite. É, portanto, por meio dos games e da cultura digital que a emancipação educacional será concretizada, algo que já acontece hoje, por meio dos games em redes sociais e, maciçamente, por meio da pirataria.

Com a vigência deste novo projeto, este ponto doloroso da nossa realidade está prestes a mudar. O prazer na aquisição de um novo game virá associado à certeza de consolidação da cidadania, por meio do fortalecimento do caráter do indivíduo, ao saber que está comprando um produto legal, genuíno e mais barato, ajudando a solidificar o mercado nacional e consciente de uma postura ética, uma qualidade de valor inestimável!

O que era apenas um desejo imaterial até ontem, ganha corpo como sinônimo de mobilização social. Sim, mobilização social, pois a vitória desta etapa não encerra o problema, ao contrário, mostra que temos força para realizarmos mudanças, conquistarmos o inatingível e sensibilizar os poderes para democratizar educação e cultura por outros meios, além dos tradicionais.

Agora, é preciso redobrar os esforços da comunidade para que cobrem agilidade e compromisso das demais comissões da Câmara, para efetivar o processo.

Mais do que nunca, é hora de nos unirmos num só discurso, demonstrarmos o revolucionário poder socioeducativo dos games e realizarmos este grande feito nacional. Escreva para seus deputados, poste vídeos no YouTube cobrando um compromisso com o lazer e a cultura, faça mobilizações nas redes sociais, crie flash mobs, pressione e lute para alcançar este objetivo. Vamos à revolução!

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